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17 junho 2013

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On the Road e o manifesto à favor do banho explícito

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Se há uma coisa que me dá agonia é não saber se o personagem (geralmente em livro) toma banho ou não. Às vezes a cena passa tão corrida, às vezes há tanta ação, tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo e não notamos — e talvez nisso o autor também seja falho e não perceba — que as pessoas precisam tomar banho. Não que eu seja uma agente da Vigilância Sanitária que vá interditar quem escreveu por não dar condições mínimas de higienização aos seus personagens, mas preciso levantar esse tão sério questionamento. Será que a cena acontece e só depois disso tomam banho? Será que tomam o banho enquanto atuam, porém nada falam por uma questão de educação, decoro, privacidade? Ou será que gostam mesmo de ser sujinhos?

O que me fez começar a pensar nisso tudo foi a leitura de On the Road. Estou sofridamente quase na metade da história, mas posso dizer aqui, com uma maior propriedade já que vi o filme baseado no livro, que Sal, Dean e Marylou passam a maior parte do tempo — preparem-se para a obviedade — na estrada, pedindo carona, sendo essa uma característica da geração beat, como assim batizou o próprio Kerouac.

A história, uma espécie de diário, é contada a partir do ponto de vista de Sal Paradise, personagem que seria o alter-ego do próprio escritor. Assim sendo, é nos passado em detalhes toda a viagem que não parece ter fim nem rumo certo. Com apenas 50 dólares quando sai da casa confortável de sua tia, hotéis baratos e principalmente caminhões e carros desconhecidos são a via e o jeito que o personagem encontra para chegar até o seu destino, que é encontrar Dean à Oeste dos Estados Unidos.

Mesmo que 50 dólares façam milagres e sejam suficientes para o uso de muitos hotéis e vinhos baratos (segundo as descrições do livro), uma hora acabam. E o garoto da estrada acaba também por só andar em cima de caminhões por dias e às vezes à pé, perambulando à espera de uma próxima carona. Ou então em barraco de um amigo antigo. Ou então numa barraca duma mulher que conheceu ali mesmo. Ou então deitado na relva verde da manhã, por não haver lugar para ficar, muito menos dinheiro algum. Por essas e outras eu me pergunto: tá, mas e o banho? Todos esses dias que passou assim, à mercê da sorte e do lugar, ficou sem tomar banho? Cadê a higiene, rapaz, que não percebo.

Esquecem dos banhos em livros tal qual esquecem da camisinha nas novelas e filmes da vida. Ou necessidades básicas, por que não. Por isso penso que livro perfeito nesse quesito — e em muitos outros — é Ensaio Sobre a Cegueira. Saramago nos deixou bem claro que nah, banho não havia, que todo mundo tava bem sujinho e cagado (senti a necessidade de pedir desculpa pelo termo: desculpa). E isso eu apoio, personagem de livro é gente como a gente, mesmo quando a criatura é a mais irreal possível. Autores, Deixem-nos claro se o personagem tá limpinho ou não, faz bem à nossa imaginação e nos livra da agonia de não saber se, ao nos colocarmos como sendo alguém da história, devemos nos sentir cheirosinhos ou com banho vencido. Obrigada.

"Cara, será que a gente toma banho ou não?"


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14 junho 2013

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Só queria 5 centavos

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Saí mais cedo da aula de libras. A atividade era elaborar um teatro em grupo para apresentação daqui duas aulas. Nosso grupo, lindo que é, decidiu que o bom mesmo seria sair de fininho e definir seja lá o que fosse durante a próxima semana. "Au revoir, professor", é o que diríamos, caso ele pudesse nos ouvir (alguém surdo dando aula de libras, faz sentido).

Como não tenho carona alguma, e como não tenho um ônibus que pare em frente ao prédio exato em que estudo e que aparece também no exato momento em que saio, minha única alternativa sempre é esperar. Seja no restaurante, seja na biblioteca, seja no chão junto aos cachorrinhos que por lá estão espalhados, ou seja no paradão interno da faculdade, o lugar mais óbvio, eu tenho que esperar o bendito ônibus.

E lá fui eu, para o lugar mais óbvio, esperar a maravilha de ônibus que nunca chega. Sorte que tinha meu livrinho pra ler, sorte que eu tinha umas moedas no bolso para comprar alguma coisa para comer enquanto lia, enquanto esperava, e sorte queOPA!, deixa eu contar essas moedas aqui.

Me desfiz da leitura - calma, Sal, já presto atenção em ti -, me livrei da bolsa, que estava em meu colo, e assim ocupei todo o banco. Sim, uma magrela como eu ocupando todo o banco. Tirei o montinho de moedas que todo mendigo ou mendiga carregam em seus bolsos e fui contando moeda por moeda. Notei minha miséria ao constatar que não havia uma derradeira moeda grandona, brilhosa, amarelinha de 1 real. Comecei e já contava com uma - e única - de 50 centavos. Tudo bem, ainda há muitas aí nesse montinho, é o que eu falava para mim mesma, enquanto passava os olhos nos metaizinhos numerados. Fui contando as outras: 25, 25, 25... sete moedas de 25 centavos. Então contei mais uma de 10 centavos e mais duas de 5. E. A. Ca. Bou.

ACABOU.

Essa era toda a minha riqueza em moedas, pelo menos as que havia contado. Dois reais e quarenta e cinco centavos contadinhos em moedas. O que se pode comprar de comida numa faculdade com R$ 2,45? Eu respondo, dá licença: NADA, caro amigo, apenas nada. Eu tinha nos meus planos comprar algum salgado ou um Fandangos (eu gosto de Fandangos, vamos respeitar as diferenças, por favor) para comer despreocupadamente enquanto lia e cambaleava no ônibus, mas nada assim daria certo.

"Mas hey, Marina, seja esperta!", disse-me assim uma vozinha na cabeça. E percebi o que a voz queria me dizer. "Sim, é claro, como não pensei nisso antes!", foi o que pensei em resposta à voz na cabeça. Eu poderia revirar toda a bolsa, toda a carteira, os bolsos da calça, o chão, o vão do banco, é claro, é claro!

E assim fiz. Revirei meus bolsos, além daquele em que já se encontravam as moedas no início, mas neles nada encontrei, revirei a carteira, e também nada havia lá, tirei todas as coisas da bolsa, revistei o fundo, cada compartimento, mas só catei o vazio.

O vazio em meus dedos, o vazio em minha barriga, o frio em meus pés, o vento no meu ouvido, que eu com custo tapava com os cabelos. Eu só queria 5 centavos, poxa.

Os 5 centavos que não achei
(Um Fandangos custa R$ 2,50, qualquer salgado no mínimo R$ 3,00. E pensar que eu olhei pr'aquelas moedas em cima da estante antes de ir pra aula... Tsc.)


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17 abril 2013

13

Sobre as velhas que puxam assunto

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Velhinha não é velhinha se não puxar assunto na parada de ônibus. Se uma chegar do teu lado e não comentar algo totalmente necessário pra tua vida como "mas esse ônibus não chega nunca!", ou então soltar um "esse tempo tá com cara de chuva, já to vendo", devo dizer que se deve desconfiar desse ser ao teu lado. Se a criaturinha aparentemente frágil não abrir a boca, já pode-se permitir ter um treco e começar a achar que aquilo na verdade é um espião, um ladrão, um agente secreto, sim, um agente escrito tudo junto, a própria Vovó Zona (beijos pra ti, Sessão da Tarde).

Volta e meia me aparece algumas dessas. Estou lá feliz lendo algum livro que tenho preguiça de devorar em casa e já me vem alguma senhorinha reclamar do ônibus. Ou  do tempo. Ou da empresa de ônibus. Ou que se esqueceu do guarda chuva. Ou da cor dos meus olhos. Ou porque eu poderia sair na Playboy.

Certa vez uma dessas adoráveis criaturas cismou com meu cabelo e meus olhos.  Eu, sabendo da grande importância desse acontecimento (a cisma da velha), corri quando cheguei em casa para escrever o diálogo no Tumblr, porque ainda achava que Tumblr poderia ser algo legal como blog e as pessoas lerem e tal. Ninguém leu, mas valeu só por eu ter um registro a mais da minha vida sem graça e ter com o que encher linguiça nesse post também talvez sem graça e assim postar um diálogo. E lá vai o diálogo.

Pessoa: Tu faz baby liss?
Eu: Não, meu cabelo é cacheado assim mesmo.
Pessoa: Mas tu pintou o cabelo né? Essas 'luzes' não podem ser naturais.
Eu: Não, nunca pintei o cabelo.
Pessoa: Ah...
(silêncio, e o ônibus tá incrivelmente atrasado)
Pessoa: Que cor são teus olhos?
Eu: Verdes.
Pessoa: (quase arrancando meus olhos) Eu acho que não são verdes.
Eu: São sim, isso eu sei muito bem.
Pessoa: Não são, querida. Tá mais pra cor-mel.
Eu: ¬¬

Um diálogo realmente muito construtivo e que, com certeza, mudará a vida de cada um que ler. Aham.

Nessa outra ocasião foi algo mais aleatório. Duas velhinhas estavam já sentadas no banco da parada quando  eu cheguei. As duas me olharam de cima a baixo e depois continuaram a tagarelar sobre sei lá o quê. Aí uma delas puxa na conversa algo tipo "se me pagassem pra tirar a roupa, tiraria". Ri para mim mesma nesse momento. Aí a outra continua "ah!!!!!!!!!!! se eu tivesse a cinturinha de uma dessas meninas *olha pra mim* certo que tiraria sem pensar". Ok, né.


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20 janeiro 2013

30

Sobretudo isso é sobre nada

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Se há alguma alma viva que ainda entre de vez em quando nesse meu blog, essa deve ter percebido faz tempo que também faz tempo que não posto mais nada de verdade. Abandono? Acho que não. Desleixo? Total. Não que eu queira agora, sei lá, fazer um texto contando todos os motivos (preguiça, preguiça e mais preguiça) que me fizeram parar de escrever aqui e em qualquer outro lugar, como meu Tumblr e meu caderno, mas é que não dá para chegar chegando, assim, de repente, como se nunca houvesse tido esse pseudo-hiatus entre eu e as palavrinhas. Tem que ter algo que esclareça, mesmo que eu não fale nada com nada e ninguém me entenda.

Esse desleixo todo teve início lá em novembro ainda. Eu tinha um trabalho para a faculdade bem grandinho para entregar até o fim do mês/início do outro, então para isso precisaria me concentrar. Tentei, mas não consegui, e acabei deixando para fazer tudo o que poderia ter feito no mês todo no último dia do prazo de entrega. Mas então alguma alma perdida vagando por aqui poderia pensar: "se fez o trabalho tooodo em um dia, teve pelo menos o mês anterior à entrega para fazer o que quissesse". Mas é claro que não foi assim. Sabe quando se tem um compromisso e a gente se sente culpado por estar fazendo outra coisa qualquer aleatória? Pois bem, eu me sinto COMPLETAMENTE culpada quando sei que tenho algo pra fazer e mesmo assim eu não faço. Por exemplo, se eu tenho que fazer um texto até às 6 da tarde, para ainda dar tempo de me arrumar e ir para a aula, eu não vou conseguir ver filme, nem série, nem ler página nenhuma de livro nesse dia, mesmo que dê tempo de sobra. Eu me sinto agoniada. É como se eu precisasse tirar esse trabalho de dentro de mim porque me sufoca. Estou sendo dramática? Completamente², mas não é muito diferente de como me sinto. Agora imagine isso durante UM MÊS. Sim, um mês completamente sufocante com meu trabalho sendo procrastinado dia após dia e eu sem ideias de como fazê-lo. Eu não conseguia ler livros, ver filmes... e postar no blog. É como se tudo isso me ocupasse tempo demais, mesmo eu sabendo que naquele momento eu não fosse realmente me dedicar ao trabalho.

Aí o desleixo que diz respeito ao mês de dezembro eu não tenho muito o que explicar. Foi pura preguiça, falta de vontade, falta de ideias. Acho que eu quis recuperar um pouco daquele tempo de agonia do mês anterior e relaxar de alguma outra forma que não fosse escrever (já que assim era o meu trabalho). Então abracei os livros, beijei, dei carinho, vem cá com a mamãe. E também foi nesse mês que eu determinei que eu leria, no mínimo, até o mês de março, os três primeiros livros da série As Crônicas de Gelo e Fogo (que comprei lá na quase metade do ano passado). Isso "rendeu" ao blog um mês inteirinho sem post nenhum. Isso é feio, eu sei, mas acontece nas melhores url's, porque não poderia acontecer aqui também?

E ah! Para esse ano, determinei, como resolução de Ano Novo, que eu leria no mínimo 50 livros, o que é uma média de um livro por semana. Eu sou péssima com promessas, mas até agora está dando certo. Estamos na segunda semana de 2013 e eu já marquei na meta do Skoob 2 livros lidos, e daqui a pouco acabo o terceiro junto com essa semana. Espero sinceramente que eu consiga e possa vir aqui comemorar no fim do ano dizendo que não foi tão complicado assim.

Imagem: weheartit


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